quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Verdades e mentiras sobre o casamento


Serão os casais perfeitos realmente... perfeitos?

Qual a fórmula da felicidade? Poderá o amor durar para sempre?
Numa altura em que o casamento assume inúmeras formas, seleccionámos os principais estereótipos da união perfeita e desafiámos Margarida Vieitez, mediadora familiar, a analisá-los.
Saiba quais as vantagens ou armadilhas que cada cenário ideal pode esconder e conheça as estratégias para viver uma relação realmente feliz. Porque, seja qual for o seu caso, a felicidade depende sobretudo de si.

Os casais felizes...

Não passam um minuto um sem o outro
Falso!

É a reacção típica do início da relação (vivem um para o outro e nada mais importa) mas será uma boa opção para toda a vida? «Muito pelo contrário», comenta Margarida Vieitez, «cada um tem o seu espaço e tempo individuais e deve respeitar o espaço e tempo do outro. Essa ideia de dois em um, a resultar, refere-se apenas aos produtos de higiene, não às relações», salienta.

Partilham gostos, paixões e hobbies
Verdadeiro!

É correcto, desde que não caiam no exagero. Ocupar o tempo livre com actividades que agradem a ambos é positivo ,mas é também importante que haja lugar para a diferença, autonomia.
«Partilham muitos gostos, paixões e hobbies, mas aceitam que o outro possua igualmente gostos, paixões e hobbies diferentes dos seus», salienta Margarida Vieitez.

(Quase) nunca discutem
Falso!

É talvez o cenário da harmonia total, mas também o mais irreal. As crises ou situações de conflito são inevitáveis numa relação, a forma de as vivermos é que difere.
Os casais felizes, «por vezes, discutem e sabem que isso é natural e acontece porque são pessoas diferentes, com percepções, interesses, necessidades e preocupações diferentes, mas a relação é sempre mais importante do que o conflito que gera a discussão», ilustra a especialista.

Têm um relacionamento óptimo com os sogros
Falso!

Há coisas na vida que não se escolhem, mas determinam a nossa felicidade. A família é uma delas e quando se trata da família do parceiro a situação pode complicar-se.
Para manter o conflito à distância, aconselha a mediadora familiar, «não é necessário que tenham uma excelente relação. Basta que exista respeito e que os limites e o território do casal, estejam bem definidos», realça.

Sentem-se realizados a nível sexual
Verdadeiro!
São casais que investem muito na intimidade, pois sabem que é uma forma de oxigenar a relação. É na intimidade que se expressam os afectos», diz Margarida Vieitez.
Ponha o sexo na agenda! Ao contrário do que pensa isso não trará monotonia.
Permitirá reservar momentos para a intimidade e pode até ajudar a criar expectativa, tal como sucede quando se planeiam as férias.

Têm idades semelhantes
Falso!

Embora, há alguns anos, investigadores suecos tenham apontado que a diferença ideal ronda os seis anos, não há consenso nesta matéria. Para alguns o número de filhos é um dado-chave, para outros a estabilidade e segurança na relação justificam as diferenças mais acentuadas.
«Por vezes, existem diferenças não muito significativas, de cinco ou mais anos. No entanto, quando a diferença é muito grande, pode eventualmente reflectir-se na necessidade de uma consciencialização mútua de que se encontram em etapas do ciclo da vida pessoal distintas, para superarem essas mesmas diferenças», diz.

Falam abertamente sobre tudo
Verdadeiro!

Sim, esse é o segredo. Falar sobre tudo. Sobre o que sentem, o que não sentem, o que pensam e porque pensam, o que querem, o que não querem e, sobretudo, sobre a relação e sobre o que esperam e estão dispostos a dar, para que ela permaneça», exalta a mediadora familiar.
De facto, as falhas de comunicação estão muitas vezes na origem das dúvidas ou discussões no casal. Não fale apenas, escute também o seu parceiro.

Trabalham juntos
Falso!

Passar 24 horas por dia juntos. Sonho para uns, pesadelo para outros e realidade para muitos, trabalhar com quem se vive pode ser um duro teste à relação. Como alerta a especialista, o casal feliz «tem actividades diferenciadas e experiências diárias que enriquecem a relação. Trabalhar com a pessoa com quem se escolheu partilhar a vida pode ser um risco de asfixia da relação. No entanto, existem excepções», sublinha.

Nunca discutem sobre dinheiro
Verdadeiro!

Não significa que seja um tema tabu, o que revela é que estes casais «conseguem perceber que há formas diferentes de encarar a realidade dinheiro, mas encontraram uma solução equilibrada para resolver as questões financeiras», defende.
Segundo a American Psychological Association, 83 por cento das mulheres preocupa-se com o dinheiro, contra apenas 78 por cento dos homens, uma diferença explicada pela personalidade mas também pelo gosto pelo risco associado ao sexo masculino. Partilhar receios, aspirações e definir planos comuns para a gestão do capital é o passo a seguir.

Vivem um dia-a-dia sem rotina
Falso!

Os casais felizes «têm rotinas que lhes permitem assegurar a gestão do dia-a-dia, mas dispensaram aquelas que não lhes traziam mais-valias e investiram num tempo e espaço a dois», explica Margarida Vieitez.
Valorize os rituais que beneficiam a sua relação, mente e até o seu corpo. Sabia que o casamento duplica o risco de excesso de peso? Investigadores da Universidade da Carolina do Norte apontam o dedo à vida sedentária que os casais adoptam. Seja dinâmica, resgate o seu parceiro do sofá e aproveite o dia.

Demonstram publicamente os afectos
Falso!

Se vê os gestos de carinho em público como o barómetro de uma relação engana- se. As pessoas «podem ou não demonstrá-los. Tem mais a ver com a forma como encaram a sua intimidade e privacidade», esclarece a especialista.
Cada casal tem a sua receita de afectos. Está feliz com a sua? Então, não se deixe influenciar pelas estatísticas dos outros.

Estão de sempre de acordo sobre a educação dos filhos
Verdadeiro!

Sabem que existem questões em que podem não estar de acordo, mas têm como prioridade encontrar as melhores soluções, independentemente de ser a sua verdade a vencer ou a do outro!
Percebem que o mais importante é definir o que é melhor para os filhos e fazem cedências», relata. Adopte uma base de princípios comum para transmitir estabilidade às crianças e evite, sobretudo, pô-la em causa diante delas.

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