quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Quando a família dele incomoda

Eles namoram há pouco mais de um ano. O relacionamento começou meio torto, às escuras, enquanto ela ainda era noiva de outro. Quando a família descobriu, virou um ‘Deus nos acuda’.
Com aquele pé atrás, sogros, cunhados e até amigos do namorado viram na nova amada como a personificação da maldade e do erro. E aí, onde deveriam existir apenas bons momentos, começaram os problemas clássicos envolvendo a família - dele.O drama acima é real e acontece em uma infinidade de casas, mundo afora. Com ou sem motivo, o relacionamento amoroso esbarra no ‘empecilho’ que a família acaba se transformando. Como segurar a barra, quando o ‘inimigo’ mora do lado de dentro? "As famílias podem realmente exercer forte pressão sobre a formação do novo par amoroso. Há diversas expectativas que recaem sobre o novo casal, pois os pais podem idealizar seus genros ou noras, e sentir dificuldade em aceitar as escolhas feitas pelos filhos. Para manter o relacionamento a salvo, o casal precisa estar muito unido e se proteger das interferências externas. Evitar críticas à família do parceiro é sábio. E considerar que todos ficam impotentes nesse clima de desafeto pode ajudar", explica a terapeuta Angela Martins, de São Paulo.

Existe ainda o drama de quando você não gosta da família dele. E aí, fica impossível que isso não interfira na vida amorosa do casal. "Quando não se gosta da família do outro, é bem possível que a gente passe a culpar o parceiro pela família que tem, de forma pouco respeitosa. As colocações críticas tendem a magoar o outro diretamente", diz Angela. Se não há mesmo como mudar esse olhar negativo, a dica é evitar comentários maldosos, conviver o mínimo necessário com a família dele e procurar estabelecer uma relação social que não revele o descontentamento. "Melhor ainda é amadurecer a ideia de aceitar essa família, sendo ela como é, para que o coração possa ficar livre para cuidar da própria relação do casal", sugere. "Colocar-se no lugar do outro é um caminho para ter empatia com sua história, sem desmerecer o núcleo familiar ao qual ele pertence".


O que deve ser decidido intimamente é se vale a pena enfrentar a barra em nome do grande amor. "Quem escolhe o amor e se encoraja a enfrentar as dificuldades tem uma personalidade mais idealista e enfrentará todos os desafios, o que certamente gerará crescimento", analisa Angela. 

É preciso lembrar que a família tem mesmo muita força para influenciar todos os seus integrantes e pode sim gerar muito desconforto e conflitos. Mas essa mesma família forma o grupo de referência amorosa e de aliança mais importante que existe. "Se ela não está conseguindo gerar amor, reflete uma sociedade empobrecida desse valor. É na intimidade que vamos conseguir manter acesa a necessidade de nos afeiçoarmos".

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